Vivemos um paradoxo curioso no mercado imobiliário:
Nunca se produziu tanto conteúdo para lançamento, e nunca foi tão difícil ser visto.
Não é só sobre estética ou qualidade do produto.
É sobre disputa por atenção.
Seu concorrente hoje não é só outro prédio.
É a notificação do WhatsApp.
É o TikTok que promete 15 segundos de riso.
É o e-mail com “URGENTE” no título.
É o Uber que está chegando.
ZOOM IN
A economia da atenção chegou ao stand.
Lembra quando o stand de vendas era um ponto de encontro quase cerimonial?
O cliente chegava, sentava com calma, recebia o book de lançamento como um objeto precioso:
papel encorpado, capa texturizada, cheiro de novo e tempo para escutar.
Era quase um ritual.
Hoje?
O book virou um PDF perdido no WhatsApp.
O cliente abre no celular, na fila do café, enquanto decide entre dois links.
É um “material” entre muitos. Ele não está imerso, está em modo disperso.
Ainda faz sentido criar books de lançamento tão detalhados?
Se a experiência de leitura mudou, talvez o material precise mudar também.
Não se trata de fazer menos bonito.
Mas de fazer mais eficaz.
Um PDF de 80 páginas que ninguém lê não é melhor que um PDF de 10 com intenção.
Um conteúdo leve, modular, bonito e narrado por um conceito forte ainda pode tocar.
Mas só funciona se for pensado pro meio onde será consumido.

LANDING PAGE OU EXPERIÊNCIA?
A maioria dos sites hoje tenta capturar o lead o mais rápido possível.
Mas o comportamento do cliente mudou.
Ele pesquisa o nome do empreendimento no Google
Ele compara em portais e redes sociais
Ele volta no link algumas vezes, talvez cansado, à noite, querendo entender se aquele lugar é pra ele.
Nesse contexto, vale a reflexão:
Será que vale mais uma landing page cheia de "clique aqui",
ou um site bem feito, com estética e conteúdo que realmente representem o produto?
A indústria de carros já percebeu isso.
Saiu dos folders técnicos para vídeos com storytelling emocional, sites interativos, experiências imersivas.
E a gente?
TRÊS PONTOS PRA PENSAR
O cliente não está mais num ambiente ideal.
A entrega do conteúdo precisa considerar o contexto. Ele está distraído, cansado, sem tempo.
Narrativa importa mais que volume.
Não adianta empilhar plantas, renders e tabelas se a história do produto não for clara e sentida.
Talvez seja hora de gastar menos com book e mais com estratégia de narrativa audiovisual.
Roteiro. UX. Storytelling. IA. Coerência entre materiais.
Tudo isso para o cliente parar o scroll, clicar no nome do produto e querer saber mais.


CURADORIA METROS NADA QUADRADOS
Podcast: Your Undivided Attention – Tristan Harris
Artigo: “O espaço em branco que estrutura a experiência”
Case: Mandara by YOO – um site de imobiliário com design e conceito
“Antes de subir a parede, é preciso construir presença.
E hoje, a presença se disputa em milésimos de segundo.”